Atriz, apresentadora e uma das personalidades mais conhecidas da televisão brasileira nos anos 1990 e 2000, Vivi Fernandez acompanhou de perto as profundas transformações da indústria do entretenimento. Depois de mais de três décadas de carreira, ela acredita que a maior mudança está na forma como os artistas se relacionam com o público e constroem suas trajetórias.
“Na minha época, a televisão era a grande vitrine. Você precisava conquistar seu espaço aos poucos, e o público esperava a semana inteira para te ver. Hoje, as redes sociais democratizaram muito esse acesso. Antes, disputávamos espaço. Hoje, disputamos atenção”, afirma.
Para Vivi, embora a internet tenha criado novas oportunidades e permitido que qualquer pessoa possa mostrar seu talento, a autenticidade continua sendo o principal diferencial em um mercado cada vez mais competitivo.
Ao contrário de muitos artistas que falam sobre a necessidade de se reinventar, ela prefere enxergar sua trajetória como uma sucessão de novas experiências. Ao longo da carreira, transitou por diferentes áreas do entretenimento, passando pelo teatro, televisão, minisséries, apresentação de programas, dublagem, podcasts e novos formatos de conteúdo.
“Nunca gostei de ficar presa a um único formato. Permanecer relevante não é seguir tendências, mas continuar aprendendo, evoluindo e tendo coragem de abraçar novos desafios”, destaca.
A artista também acredita que, apesar dos avanços, o mercado ainda convive com muitos rótulos.
“Muitas vezes, o artista acaba sendo lembrado apenas por uma fase da carreira, quando, na verdade, está em constante transformação. Felizmente, hoje o público está mais disposto a conhecer a pessoa por trás da imagem.”
Fora dos holofotes, Vivi diz que gostaria que as pessoas conhecessem uma versão mais simples de si mesma.
“A imagem que aparece na televisão é apenas uma parte da minha história. Sou uma pessoa que ama a família, gosta de estudar, aprender, empreender e viver novos desafios.”
Outro tema que chama a atenção da artista é a evolução da representação feminina na mídia. Segundo ela, as mulheres conquistaram mais liberdade e espaço para decidir como querem ser vistas, mas ainda enfrentam cobranças relacionadas à aparência, idade e comportamento.
“A sociedade avançou bastante, mas ainda precisamos aprender a valorizar a mulher pelo talento, pela inteligência e pela liberdade de fazer suas próprias escolhas.”
Ao falar sobre temas que ganharam força nos últimos anos, como assédio e limites na indústria do entretenimento, Vivi considera que o principal avanço foi a quebra do silêncio.
“Hoje falamos muito mais sobre respeito, consentimento e limites. Antes, muitas situações eram tratadas como normais e muita gente sofria em silêncio. Ainda há um caminho importante pela frente, mas existe mais informação, apoio e coragem para denunciar.”
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