Pressão tributária, crédito caro e busca por previsibilidade impulsionam movimento de internacionalização entre pequenos e médios empresários brasileiros, com Orlando ganhando relevância como ponto de conexão empresarial
A combinação entre juros elevados no Brasil, aumento da complexidade tributária e busca por previsibilidade operacional tem levado empresários brasileiros a olhar com mais atenção para a internacionalização como estratégia de expansão e diversificação patrimonial. Dados do Banco Central mostram que o investimento direto de brasileiros no exterior segue como um movimento relevante dentro das estatísticas do setor externo, refletindo o interesse crescente por operações internacionais.
Franco Scornavacca, conhecido como Kiko do KLB, é empresário e fundador da MD1 Nexus, empresa especializada em aceleração de negócios, internacionalização e conexões estratégicas entre Brasil e Estados Unidos, com forte atuação na conexão empresarial com Orlando. Com trajetória consolidada no ambiente internacional, ele observa uma mudança clara no perfil do empreendedor brasileiro que busca expansão fora do país. “Antes existia muito a ideia de internacionalização como conquista simbólica. Hoje a conversa é outra. O empresário quer acessar ecossistemas mais previsíveis, ampliar networking estratégico e criar novas frentes de receita”, diz.
O tema ganha força em um momento de crédito mais restritivo para expansão empresarial. Em maio, a taxa Selic permaneceu em 14,75% ao ano, mantendo o custo do financiamento elevado e exigindo maior cautela na tomada de decisão, especialmente entre pequenas e médias empresas. Ao mesmo tempo, a implementação da reforma tributária e seu período de transição têm levado empresários a ampliar o olhar sobre planejamento e diversificação de operações.
Nos Estados Unidos, o ambiente segue atraindo investidores internacionais interessados em expansão comercial e diversificação geográfica. Dados do U.S. Bureau of Economic Analysis mostram que os investimentos estrangeiros diretos no país somaram US$ 151 bilhões em 2024, reforçando a atratividade do mercado norte americano para operações produtivas, aquisição de empresas e novos negócios.
Dentro desse movimento, Orlando consolidou um papel estratégico além do turismo. A cidade passou a funcionar como porta de entrada para empresários brasileiros que desejam iniciar conexões comerciais, entender a dinâmica do mercado norte americano e estruturar presença internacional de forma gradual. Segundo Kiko, esse movimento tem se intensificado entre empresários que já possuem negócios maduros no Brasil e buscam ampliar atuação global. “Muitos chegam falando em abrir empresa, mas o ponto principal nem sempre é esse. Às vezes, o que eles precisam primeiro é entender como operar, como se conectar com parceiros certos e como transformar a internacionalização em uma decisão empresarial consistente”, afirma.
Internacionalização entra na estratégia de crescimento
A mudança também altera o perfil da demanda por suporte especializado. Segundo Kiko, o empresário atual busca inteligência comercial, conexões qualificadas e estrutura estratégica, e não apenas orientação burocrática. “Existe um amadurecimento importante. O empreendedor que procura expansão internacional hoje quer construir algo sustentável, não improvisado. Ele entende que presença internacional exige planejamento, posicionamento e leitura de mercado.”

Especialistas apontam que a internacionalização de pequenas e médias empresas brasileiras deixou de ser um movimento restrito a grandes grupos exportadores e passou a integrar a agenda de empresários que enxergam diversificação geográfica como mecanismo de crescimento e fortalecimento empresarial.
Para Kiko, a tendência deve seguir ganhando força nos próximos meses. “O movimento reflete um amadurecimento: o empresário não está saindo, mas sim rompendo fronteiras. Trata-se de uma evolução natural para diversificar operações e buscar novas frentes de crescimento. O potencial interno continua no radar, mas agora somado a uma atuação mais estratégica e global”, afirma.
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