A decisão da União Europeia de proibir a destruição de roupas e acessórios não vendidos marca o início de uma nova era na moda.
A medida, que impede empresas de descartar produtos novos como forma de controlar oferta ou preservar posicionamento de preço, representa uma mudança estrutural e altera diretamente a lógica de operação do setor, além de impor uma revisão prática sobre como os estoques são planejados, distribuídos e monetizados.
Historicamente, o excesso de estoque sempre foi tratado como um custo inevitável e um mal necessário na moda. Coleções sazonais, erros de previsão de demanda e ciclos rápidos de produção geravam volumes que nem sempre encontravam saída comercial. Em muitos casos, a destruição desses produtos era utilizada como solução para evitar impacto na percepção de valor da marca. Com a nova regulamentação, o mercado vai precisar trocar o desperdício pela inteligência, operando com mais precisão para fazer o estoque girar.
Na prática, a mudança desloca o foco da eliminação para a gestão. O que antes era considerado perda passa a exigir estratégia. Isso implica rever desde o planejamento de coleção até a definição de canais de venda, com maior controle sobre mix, giro e distribuição.
O desafio passa a ser transformar esse estoque em receita sem comprometer o prestígio da marca, exigindo do mercado parcerias estratégicas e operações muito mais estruturadas.
Nesse cenário, a tecnologia e a inteligência de dados deixam de ser suporte e passam a orientar a tomada de decisão. O direcionamento de produtos ganha precisão, com ajustes mais refinados de preço, volume e canal, permitindo converter estoque parado em receita sem gerar atrito com os canais principais ou desgaste de marca.
Mais do que simplesmente ampliar a distribuição, o movimento aponta para operações mais controladas e estratégicas, em que cada decisão de alocação carrega intenção e critério. O desafio não está mais apenas em escoar o excedente, mas em fazê-lo de forma alinhada ao posicionamento, ao público e ao canal de vendas. Nesse novo cenário, a capacidade de distribuir excedentes com inteligência se torna uma extensão da estratégia comercial, tornando-se um diferencial competitivo relevante.

*Leonardo Mencarini é CEO e cofundador do Mercado Único, plataforma B2B que conecta marcas de vestuário a lojistas selecionados, viabilizando a liquidação estratégica de estoques remanescentes com controle de distribuição, preservação de posicionamento e condições comerciais eficientes.
As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e podem não necessariamente expressam a opinião deste portal.
É expressamente proibido cópia, reprodução parcial, reprografia, fotocópia ou qualquer forma de extração de informações do site EGOBrazil sem prévia autorização por escrito, mesmo citando a fonte. Cabível de processo jurídico por cópia e uso indevido, esse conteúdo pode conter IA.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



