Especialista analisa como a complexidade regulatória no Brasil contribui para a informalidade e amplia distorções competitivas na economia
A economia subterrânea brasileira movimentou cerca de R$ 1,7 trilhão em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço da informalidade tem se intensificado em setores de alto valor agregado, como apostas digitais, eletrônicos e combustíveis, onde agentes fora da legalidade passam a competir diretamente com empresas regulamentadas.
Para Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, o fenômeno revela um efeito colateral do próprio ambiente regulatório brasileiro. “Quando o custo para operar dentro da lei se torna elevado e a estrutura é complexa, abre-se espaço para que operações paralelas cresçam com vantagem competitiva”, afirma.
O movimento se torna mais evidente em mercados em processo de regulamentação, como o de apostas esportivas. Estimativas do setor indicam que o segmento movimentava cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil antes da entrada em vigor das regras mais recentes .
Ao mesmo tempo, a formalização trouxe expectativa de arrecadação bilionária para os cofres públicos, mas também expôs um desafio estrutural: a permanência de plataformas não autorizadas, muitas delas operando fora do país. “Se o ambiente regulado não consegue equilibrar experiência, custo e acesso, parte dos usuários migra para alternativas que operam à margem”, explica.
A consequência direta recai sobre empresas que atuam dentro das normas. Elas enfrentam carga tributária elevada, exigências operacionais e fiscalização constante, enquanto concorrentes informais operam com menos restrições e conseguem praticar preços mais agressivos. “A empresa formal precisa lidar com custos e obrigações que o concorrente ilegal simplesmente ignora. Isso cria uma distorção relevante na competição”, diz.
O impacto vai além da concorrência desigual. A expansão do mercado ilegal reduz a arrecadação, compromete investimentos e afeta cadeias produtivas inteiras. Em ambientes digitais, a fiscalização se torna ainda mais desafiadora, especialmente quando as operações são hospedadas em outros países. “A tecnologia amplia o alcance do mercado, mas também dificulta o controle. Sem mecanismos eficientes de monitoramento, o crescimento tende a ser acompanhado por informalidade”, afirma.
Do ponto de vista do consumidor, os riscos também aumentam. Plataformas não regulamentadas não seguem padrões de segurança, não garantem pagamento e operam sem mecanismos de proteção. “Muitos usuários não percebem que estão fora de um ambiente regulado. Quando ocorre algum problema, não há respaldo jurídico nem garantia de solução”, alerta.
Especialistas defendem que o enfrentamento do problema passa por equilíbrio regulatório. Regras claras, simplificação operacional e fiscalização mais eficiente são apontadas como caminhos para reduzir a informalidade sem comprometer a competitividade. “A regulação é necessária, mas precisa ser funcional. Quando ela se distancia da realidade das empresas, cria incentivos para o crescimento do mercado paralelo”, afirma.
O especialista aponta cinco estratégias para empresas enfrentarem a concorrência informal e protegerem margens
Diante desse ambiente, empresas que operam dentro da legalidade têm buscado alternativas para manter competitividade e proteger margens. O ponto central está em transformar eficiência operacional e posicionamento em diferenciais reais de mercado.
Antes disso, especialistas ressaltam que competir com a informalidade não passa apenas por redução de preços, mas por inteligência estratégica e adaptação ao comportamento do consumidor.
Para o especialista, empresas que conseguem interpretar o ambiente regulatório de forma estratégica tendem a sair na frente. “Não basta cumprir regras. É preciso entender como operar bem dentro delas e transformar isso em vantagem competitiva”, afirma.
O avanço do mercado ilegal no Brasil indica que a discussão sobre regulação e competitividade deve ganhar espaço nos próximos anos. A forma como o país equilibra controle, simplicidade e estímulo à formalização será determinante para definir se o crescimento econômico virá acompanhado de organização ou de expansão paralela fora das regras.
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