Há mais de três décadas vivendo na Alemanha, a matchmaker brasileira Vìvien Pölzer se tornou uma referência quando o assunto é relacionamento intercultural, autoconhecimento e conexões humanas profundas. Conhecida por unir brasileiras a homens europeus de alto padrão, ela também chama atenção pela forma sensível e espiritualizada com que conduz seu trabalho.
Em conversa exclusiva, Vìvien falou sobre os bastidores emocionais do matchmaking, o desgaste das relações modernas, espiritualidade, força feminina e a influência do arquétipo de Lilith em sua trajetória pessoal e profissional.
Ao ser questionada sobre o que mais mudou na forma como brasileiros enxergam relacionamentos internacionais ao longo dos anos, Vìvien explica que existe uma transformação muito clara nesse comportamento.
Segundo ela, no passado, muitas mulheres buscavam relações interculturais associando isso à oportunidade de mudar de vida financeiramente ou viver no exterior. Hoje, a realidade é outra.
“Tenho atendido mulheres extremamente bem estruturadas emocional e financeiramente no Brasil, mulheres que poderiam, sim, viver bons relacionamentos dentro do próprio país. Mas muitas estão cansadas de certos padrões culturais, da superficialidade e da forma como são rotuladas na sociedade brasileira”, afirma.
Ela acredita que o relacionamento internacional deixou de representar apenas uma possibilidade de estabilidade ou ascensão e passou a simbolizar algo muito mais profundo.
“Hoje, muitas pessoas buscam conexão genuína, respeito, admiração e compatibilidade emocional. Querem viver relações mais conscientes, leves e respeitosas, independentemente da idade, aparência ou posição social.”
Quando o assunto são os bastidores do trabalho de uma matchmaker, Vìvien revela que existe um lado emocional muito mais intenso do que as pessoas imaginam.
“O que quase ninguém vê é que por trás da busca pelo amor existem dores emocionais profundas. Carência afetiva, baixa autoestima, traumas, inseguranças e um enorme desgaste emocional causado pela correria e pela superficialidade das relações modernas.”
Ela explica que o trabalho vai muito além de unir pessoas bonitas ou bem-sucedidas.
“Existem mulheres lindas, inteligentes e aparentemente muito seguras, mas emocionalmente fragilizadas. Da mesma forma, já atendi empresários e CEOs extremamente bem-posicionados profissionalmente, mas profundamente solitários.”
Para Vìvien, o verdadeiro papel do matchmaker é justamente enxergar além da imagem social.
“Muitas vezes, a pessoa acredita que precisa desesperadamente de um relacionamento, mas o que ela realmente precisa é se reconectar com a própria autoestima, ser acolhida ou aprender novamente a acreditar que merece viver uma relação saudável.”
A espiritualidade também ocupa um papel central em sua vida e em sua forma de trabalhar. Durante a entrevista, Vìvien revelou que sua sensibilidade espiritual influencia diretamente sua forma de conduzir cada atendimento.
“A espiritualidade é uma chave de ouro na minha vida. É através da minha intuição e da minha conexão espiritual que consigo perceber se aquela pessoa realmente está preparada emocionalmente para viver um relacionamento.”
Ela conta que realiza entrevistas profundas e individuais com cada cliente e que nem sempre aceita seguir com determinados perfis.
“Muitas vezes percebo que aquela pessoa ainda está emocionalmente fragilizada, carregando dores, traumas ou até desequilíbrios espirituais que precisam ser trabalhados antes de entrar em uma relação.”
Nesses casos, Vìvien afirma que prefere orientar o cliente a buscar terapia, autoconhecimento ou fortalecimento emocional antes de iniciar uma busca amorosa mais séria.
“Relacionamentos interculturais exigem muita maturidade emocional. Não preciso de pessoas perfeitas, mas sim minimamente preparadas para viver uma conexão saudável.”
Durante a conversa, outro tema que ganhou destaque foi a força feminina e a presença simbólica de Lilith em sua trajetória. Ao ser questionada sobre o significado desse arquétipo, Vìvien foi direta.
“Lilith representa, para mim, a força feminina em sua forma mais livre, consciente e intensa. É a mulher que ocupa o próprio espaço no mundo sem pedir licença.”
Ela faz questão de desconstruir associações negativas frequentemente ligadas à figura de Lilith.
“Eu não vejo Lilith como algo sombrio ou demoníaco. Vejo como o símbolo da mulher que não aceita ser diminuída, silenciada ou aprisionada.”
Vìvien afirma que se identifica profundamente com essa energia por também ser uma mulher intensa, independente e determinada.
“O mais bonito na energia de Lilith é que ela não ensina a mulher a viver em guerra com os homens. Pelo contrário. Ela mostra que, quando uma mulher reconhece o próprio valor, ela não precisa provar nada para ninguém.”
Segundo ela, essa conexão também está diretamente ligada ao trabalho que realiza diariamente com mulheres.
“Eu trabalho ajudando mulheres a despertarem autoestima, magnetismo, consciência emocional e amor-próprio. A verdadeira força feminina não está no confronto, mas na autenticidade, na presença e na capacidade de ocupar o próprio espaço naturalmente.”
Ao aprofundar o tema, Vìvien explicou como essa energia influencia sua forma de enxergar o magnetismo feminino.
“As pessoas acham que magnetismo é apenas sedução ou chamar atenção masculina. Para mim, não é isso. Quando uma mulher desperta sua essência, ela passa a transmitir presença, respeito e segurança naturalmente.”
Ela acredita que o verdadeiro magnetismo nasce da conexão interna.
“Quando a mulher se reconhece, se valoriza e ocupa o próprio espaço com verdade, os homens deixam de enxergá-la apenas pela aparência física e passam a respeitá-la pela energia, pela postura e pela essência.”
Depois de tantos anos ajudando pessoas a encontrarem o amor, Vìvien afirma que a maior lição que aprendeu sobre relacionamentos é que conexões verdadeiras exigem construção diária.
“Relacionamentos vão muito além de paixão, química ou atração física. Eles exigem maturidade emocional, cumplicidade, respeito e disposição para construir diariamente.”
Ela explica que isso se torna ainda mais intenso em relações interculturais, onde culturas, hábitos e formas de enxergar o mundo são completamente diferentes.
“Quem escolhe viver um relacionamento internacional precisa desenvolver tolerância, empatia, paciência e responsabilidade afetiva. Muitas vezes, uma das pessoas deixa o próprio país, a família e toda a sua realidade para viver ao lado do outro.”
Vìvien também compartilha que essa visão nasce da própria experiência pessoal. Atualmente em seu segundo casamento, ela vive há 16 anos uma relação intercultural.
“Eu continuo sendo brasileira, ele continua sendo alemão, e isso nunca vai mudar. O que faz a relação funcionar é justamente o respeito pelas diferenças e a disposição constante de continuar construindo juntos.”
Para acompanhar mais reflexões, dicas e conteúdos sobre relacionamentos, energia feminina, espiritualidade e conexões interculturais, Vìvien Pölzer compartilha diariamente sua visão através do Instagram: @vivienpoelzer
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