Segundo o ator, a declaração tinha como objetivo retratar o pensamento que possuía naquele período da vida e não refletia sua visão atual. “Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua. Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, afirmou.
A declaração aconteceu durante a cerimônia da Associação Paulista de Críticos de Arte, realizada na noite da última segunda-feira (4). Na ocasião, Lima Duarte recebeu um troféu especial em homenagem à sua trajetória na televisão brasileira.
Durante o discurso, o ator relembrou a época em que chegou à capital paulista aos 15 anos, vindo da cidade de Sacramento. Ele contou que trabalhou no Mercado Municipal e enfrentou situações extremas, incluindo períodos em situação de rua.
Ao narrar a lembrança, relatou uma conversa com um colega da época. “Um dia um moleque daqueles chegou pra mim e falou assim: ‘Vamos na zona?’ […] Eu falei: ‘Vamos na Itaboca’, ele falou: ‘Só tem preta’. Eu não fui”, disse.
Na sequência, o ator afirmou que reconhece hoje o erro do pensamento que tinha na juventude. “Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés”, relembrou.
A fala repercutiu nas redes sociais, onde diversos internautas classificaram o conteúdo como racista. O momento também gerou desconforto entre parte do público presente na cerimônia.

Após o discurso, artistas que participaram do evento se manifestaram no palco. Sem citar diretamente o nome do ator, Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô fizeram falas em defesa das mulheres negras.
“Esse trabalho é uma obra de vingar, mas também de vingança. É uma obra que invadiu a cidade de Campinas para reverenciar o samba. O samba das mulheres pretas, que não estão no mundo para serem recusadas. Mulheres pretas, levantai-vos”, declarou Carmen Luz.
Já Shirley Cruz destacou: “Sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Sou a prosperidade das minhas ancestrais. Prosperidade é um direito nosso”.
Encerrando as manifestações, Grace Passô reforçou a importância do posicionamento feito no palco. “Essa artista lembrou que nós, mulheres negras, não nascemos para ser negadas”, concluiu.