Jornalista, cineasta e empresária afirma que perfis concentravam anos de trajetória profissional, relacionamento com o público e divulgação de seus projetos
A jornalista, cineasta e empresária Ana Angélica Martins, conhecida como Angélica Morango e nacionalmente pela participação no BBB 10, recorreu à Justiça após ter contas mantidas em plataformas da Meta desativadas. O caso coloca em discussão um tema cada vez mais presente na rotina de artistas, influenciadores, criadores e empresas: a dependência profissional das redes sociais para divulgação, relacionamento com o público e geração de negócios.
Segundo a defesa de Angélica, sua conta pessoal no Instagram, que reunia mais de 100 mil seguidores, foi desativada em 28 de novembro de 2025. Em 29 de janeiro de 2026, o perfil profissional de sua produtora audiovisual, @all.in.cinema, também teria sido retirado do ar. A cineasta mantinha ainda cerca de 23 mil seguidores no Threads.
O processo nº 5000272-31.2026.8.24.0590 tramita atualmente na 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais de Santa Catarina, após recurso apresentado contra a decisão de primeira instância, que indeferiu os pedidos da autora. A defesa busca o restabelecimento das contas e a reparação pelos danos alegados.
De acordo com o advogado André Matheus, que atua no caso, Angélica não teria recebido uma indicação específica sobre quais conteúdos ou regras das plataformas teriam motivado as desativações. A defesa também questiona a impossibilidade de acesso a informações e registros das próprias publicações após a retirada dos perfis.
“Não estamos falando apenas de ‘perder seguidores’, estamos falando de censura privada, apagamento de portfólio artístico e prejuízo financeiro para uma empresa legítima”, afirma André Matheus.
A discussão ganha relevância em um cenário no qual as redes sociais deixaram de ser apenas espaços de relacionamento e passaram a integrar a estrutura profissional de milhares de pessoas. Para artistas, influenciadores, produtores e empreendedores, uma conta pode reunir audiência, portfólio, contatos comerciais, divulgação de projetos e uma parcela significativa da geração de receita.
No caso de Angélica, as plataformas também estavam diretamente ligadas à sua atividade profissional. Além da trajetória no jornalismo e na televisão, ela atua como cineasta, criadora, produtora e empresária no mercado audiovisual.
“Quando uma conta desaparece, não são apenas seguidores que você perde. Ali estavam anos da minha história, trabalhos, projetos, contatos e uma relação construída com o público. Hoje, as redes fazem parte da nossa profissão e também da nossa fonte de renda. É muito difícil perceber que algo que você construiu durante tantos anos pode simplesmente desaparecer sem que exista uma explicação clara”, afirma Angélica Morango.
O episódio chama atenção ainda para a vulnerabilidade de profissionais que construíram parte significativa de suas carreiras em ambientes digitais administrados por empresas privadas. A desativação de um perfil pode representar não apenas a perda temporária de um canal de comunicação, mas também a interrupção de estratégias comerciais, divulgação de trabalhos e acesso a um público construído ao longo de anos.
Para a defesa, casos como o de Angélica reforçam a necessidade de maior transparência na aplicação das regras das plataformas e de mecanismos efetivos para que usuários possam compreender e contestar decisões que resultem na suspensão ou exclusão de suas contas.
Mais do que uma disputa sobre perfis em redes sociais, o caso coloca em debate até que ponto plataformas digitais, hoje fundamentais para a atividade profissional de milhões de pessoas, devem oferecer transparência e mecanismos de defesa quando decisões internas podem afetar diretamente carreiras, negócios e fontes de renda.
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