O advogado especialista em Direito da Saúde Suplementar e professor convidado da Universidade de São Paulo (USP), Elton Fernandes, explica quais falhas mais geram conflito e por que a leitura técnica do contrato pode mudar o rumo de um caso
Ter problemas com plano de saúde é uma situação mais comum do que muita gente imagina. A dificuldade pode começar com uma negativa de exame, passar por uma internação recusada, envolver um reajuste inesperado ou até chegar ao cancelamento do contrato em um momento de tratamento.
Em todos esses cenários, o consumidor costuma enfrentar a mesma sensação: a de estar diante de regras pouco claras e de uma operadora que se comunica mal sobre o que está autorizando ou negando.
Nesse tipo de conflito, o primeiro erro costuma ser tratar toda resposta da operadora como definitiva. Nem sempre uma negativa está correta, e nem sempre a cobrança apresentada é compatível com o contrato.
Segundo Elton Fernandes, advogado especialista em planos de saúde e professor de pós-graduação em Direito da Saúde, o ponto central é entender que problemas com planos de saúde exigem análise técnica. No campo da saúde suplementar, detalhes contratuais, regulatórios e documentais fazem diferença prática e jurídica.
Quando o problema começa na negativa de cobertura
Entre as queixas mais frequentes está a recusa de cobertura para exames, cirurgias, terapias e procedimentos indicados pelo médico assistente. Em muitos casos, a operadora alega ausência de previsão contratual, alegação de não cumprimento de diretrizes internas ou necessidade de autorização prévia.
Para o consumidor, o efeito é imediato: o tratamento é interrompido ou adiado, justamente quando a urgência clínica é maior.
A questão central é que a negativa não se sustenta apenas porque a operadora a emitiu. É preciso avaliar o contrato, a natureza da cobertura contratada, a indicação médica e o contexto do atendimento.
Em saúde, o documento clínico costuma ter peso importante porque demonstra a necessidade do procedimento e ajuda a confrontar argumentos excessivamente genéricos da operadora.
Elton Fernandes, advogado especialista em plano de saúde, costuma reforçar que, nesses casos, o consumidor precisa reunir o máximo de informação possível. A resposta recebida, o relatório médico, o número de protocolo e o histórico de comunicações com a operadora ajudam a construir a leitura correta do problema. Sem isso, o caso fica restrito a uma versão unilateral da empresa.
Reajuste inesperado também é fonte recorrente de conflito
Outro tipo de problema muito comum envolve o reajuste da mensalidade. O valor sobe, o consumidor não entende a razão, e a operadora nem sempre apresenta justificativa clara.
Em planos individuais e familiares, há regras específicas; em planos coletivos, a lógica contratual é diferente e, por isso, a variação pode ser mais difícil de prever para o beneficiário.
A dificuldade aumenta quando o reajuste aparece de forma acumulada ou quando a cobrança parece fugir do padrão esperado ao longo dos anos.
Nessa situação, o consumidor geralmente não sabe se o aumento decorre de cláusula contratual, de faixa etária, de sinistralidade ou de algum outro critério. O resultado é uma relação de insegurança permanente com um serviço que deveria oferecer estabilidade.
Para Elton Fernandes, a análise do reajuste precisa considerar o histórico do contrato e não apenas o boleto do mês. Em saúde suplementar, a surpresa financeira costuma vir acompanhada de desinformação.
Por isso, ler a proposta original, verificar o tipo de contratação e identificar o fundamento da cobrança são passos decisivos antes de aceitar qualquer aumento como legítimo.
Cancelamento, exclusão e suspensão: os conflitos mais sensíveis
Há também os casos em que o problema não está apenas no valor ou na cobertura, mas na própria continuidade do vínculo. Muitos beneficiários descobrem, em plena necessidade de atendimento, que o plano foi cancelado, suspenso ou que algum dependente foi excluído sem que a situação tivesse sido devidamente compreendida.
Ocorrência que tende a gerar impacto ainda maior porque toca o ponto mais sensível da relação contratual: o acesso efetivo ao cuidado. Nos contratos coletivos, especialmente, a comunicação sobre encerramento ou alteração de vínculo pode ser confusa para o consumidor final.
Frequentemente, a informação circula entre empresa contratante, operadora e beneficiário sem que haja transparência suficiente. Quando o problema surge, o usuário já está diante de um fato consumado e precisa entender se houve aviso adequado, respeito às regras contratuais e observância das exigências regulatórias.
Em situações assim, a orientação técnica faz diferença. O beneficiário precisa saber se houve rescisão regular, se a exclusão de dependente foi prevista corretamente e se existia tratamento em curso que exigia atenção especial.
Muitas controvérsias que chegam ao Judiciário começam justamente pela ausência de informação no momento em que o consumidor mais precisava de clareza.
O que fazer quando surge um problema com o plano de saúde?
Diante de uma negativa, de um reajuste fora do esperado ou de uma interrupção no atendimento, o primeiro passo não é aceitar a resposta da operadora sem análise. Em saúde suplementar, a forma como o problema aparece nem sempre revela a sua causa real.
Muitas vezes, a cobrança ou a recusa está amparada em uma justificativa genérica, mas que precisa ser confrontada com o contrato, com a cobertura contratada e com a documentação médica.
Segundo Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde Suplementar e professor convidado da Universidade de São Paulo (USP), a orientação mais segura é olhar para o caso com método.
Em vez de reagir apenas à frustração do momento, o consumidor precisa reunir os documentos que demonstram o que foi pedido, o que foi negado e em quais condições isso aconteceu.
Na prática, isso significa guardar o relatório médico, o número de protocolo, a resposta formal da operadora, os boletos com reajuste e qualquer comunicação enviada por e-mail, aplicativo ou carta.
Quando o problema envolve tratamento em andamento, esse cuidado se torna ainda mais importante, porque a análise precisa considerar a urgência clínica e o impacto imediato da negativa ou da suspensão.
“Uma negativa ou um reajuste não devem ser analisados apenas pelo que a operadora afirma na resposta. É preciso verificar se a justificativa encontra respaldo no contrato, na legislação e nas circunstâncias concretas do caso. Quanto mais organizada estiver a documentação, mais segura será a avaliação sobre quais providências podem ser adotadas”, explica o advogado especialista em plano de saúde Elton Fernandes.
O que diferencia uma análise técnica de uma leitura apressada
Em conflitos com plano de saúde, nem sempre a resposta mais rápida é a mais correta. Muitas vezes, o consumidor recebe orientações genéricas, como “aceitar o que a operadora disse” ou “esperar uma nova tentativa de autorização”.
Em casos que envolvem saúde, essa demora pode custar tempo clínico e aumentar o desgaste emocional da família. Por isso, a leitura técnica precisa vir antes da conclusão precipitada.
O advogado especialista em Saúde Suplementar Elton Fernandes costuma definir sua forma de trabalho como direta, técnica e acessível. Na sua visão, a advocacia de saúde deve traduzir a complexidade em informação utilizável, não em ruído.
Ele também resume sua filosofia profissional em duas frases que ajudam a entender seu posicionamento: “no longo prazo, só a verdade vende” e “cuidamos de pessoas, não de processos”.
Em termos práticos, isso significa tratar cada conflito com plano de saúde como algo que afeta a rotina, tratamento e estabilidade de vida, e não apenas como mais um número de processo.

Formação, produção técnica e atuação institucional
Além da advocacia, Elton Fernandes atua como professor convidado de pós-graduação na USP, na USP de Ribeirão Preto, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, na Escola Paulista de Direito e no Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife.
Ele também é autor do livro Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde, obra que se tornou uma referência no meio jurídico.
Soma-se a isso a idealização da Mentoria e Pós-Graduação em Direito Médico e da Saúde, curso voltado para advogados e reconhecido pelo MEC, além da organização do Summit Direito da Saúde, evento anual em São Paulo que reúne mais de 500 profissionais da área.
Na esfera institucional, Elton Fernandes preside a Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e mantém atuação presencial e online para todo o Brasil, com base em São Paulo.
Informação é o primeiro passo para enfrentar o problema
Problemas com plano de saúde exigem mais do que indignação. Eles pedem leitura do contrato, análise da resposta da operadora, conferência de documentos médicos e compreensão das regras aplicáveis a cada tipo de contratação.
Sem isso, o beneficiário corre o risco de aceitar uma negativa injustificada, um reajuste indevido ou uma exclusão que poderia ser questionada.
É nesse ponto que a informação se torna o principal instrumento de proteção do consumidor. Em vez de partir da suposição de que todo problema é igual, a análise precisa distinguir a causa, o contexto e a consequência de cada situação.
No Direito da Saúde, essa distinção costuma ser a diferença entre desistir cedo e compreender o caminho adequado.
Ao tratar o tema com base em técnica, experiência e linguagem acessível, o advogado especialista em Direito da Saúde Suplementar e professor convidado da Universidade de São Paulo (USP) Elton Fernandes consolidou uma trajetória que vai além da atuação em casos concretos. Sua presença no debate público sobre planos de saúde mostra como a especialização pode transformar um tema complexo em orientação prática para quem enfrenta conflitos com operadoras.
Conteúdo produzido por colaborador do EGOBrazil e revisado pela equipe editorial antes da publicação. As informações seguem os critérios e padrões editoriais adotados pelo portal.
© EGOBrazil. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia e por escrito é proibida.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.



