Entre a cidade e o campo nasceu um novo propósito de vida e negócio
Em um cenário onde o excesso de informação, a correria e a pressão urbana têm cobrado um preço alto da saúde mental, um movimento silencioso, porém cada vez mais forte, começa a ganhar espaço: o retorno ao campo.
Mas, não como fuga, e sim como escolha estratégica de vida, propósito e negócio. Foi assim que dois casais, de áreas completamente diferentes, decidiram plantar mais do que batata-doce: plantaram um novo estilo de vida. De um lado, Thaís Moraes, designer de moda, acostumada ao detalhe, à estética e à sensibilidade.
Ao seu lado, George Leonardo, psicólogo, que lida diariamente com as emoções e os desafios da mente humana. Somam-se ao projeto Elen Diana Tostes e Lucas Tostes, empresários da área de adubação e especialistas no que faz a terra prosperar. Juntos, eles transformaram a diferença em força, e a terra em oportunidade.
O projeto nasceu sem estereótipos. Não são “pessoas da roça” no sentido tradicional. São profissionais urbanos que entenderam algo que muita gente ainda está começando a perceber: o campo deixou de ser apenas produção, ele se tornou experiência, saúde e equilíbrio. A escolha pela batata-doce não foi por acaso.
Resistente, nutritiva e com alta demanda, ela representa bem o conceito do negócio: simplicidade com valor agregado. Um alimento acessível, mas carregado de propósito, cuidado e estratégia. Mas o que realmente chama atenção não é apenas o cultivo, e sim o que ele representa.
Para Thaís Moraes, o campo também é uma extensão da sua visão criativa: “Eu sempre trabalhei com beleza, com estética… e a terra também tem isso. Existe um cuidado, um processo, um tempo certo para cada coisa. A roça me ensinou a respeitar o natural — e isso mudou até a forma como eu vejo meu próprio trabalho.”
Já George Leonardo enxerga no campo um impacto direto na saúde emocional: “A gente vive uma geração ansiosa, imediatista. O campo te obriga a desacelerar, a entender processos. Cuidar da terra é terapêutico. Não é só plantar alimento, é cultivar equilíbrio.”
Para os especialistas Elen Diana e Lucas Tostes, a conexão vai além do emocional — é também técnica e estratégica: “A terra responde ao cuidado. Quando existe conhecimento, planejamento e respeito pelo processo, o resultado vem. Nosso papel é trazer essa base, essa estrutura, para que o negócio cresça de forma saudável e produtiva.”
Enquanto muitos buscam luxo em excessos, viagens ou consumo, esse grupo encontrou luxo no tempo desacelerado, no contato com a terra, no silêncio produtivo e na construção de algo real. O que antes era visto como trabalho duro, hoje ganha uma nova leitura: terapia, conexão e liberdade.
Existe também um movimento maior por trás dessa escolha. Cada vez mais jovens e profissionais estão migrando, investindo ou ao menos se conectando com o agro.
Tecnologia no campo, internet via satélite, mecanização acessível e novos modelos de negócio estão tornando o setor mais atrativo, e possível, para quem antes não se via nesse lugar.
E talvez esse seja o ponto central dessa história: o campo deixou de ser herança. Ele virou decisão. Mais do que plantar, esses dois casais estão cultivando uma mensagem: é possível produzir, prosperar e, ao mesmo tempo, cuidar da mente, da família e da própria essência.
No fim das contas, o verdadeiro luxo não está no que se ostenta, mas no que se vive. E hoje, para muitos, viver bem tem cheiro de terra
Grupo Oliveira Agro
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